Escolher um PMS (Property Management System) é uma das decisões tecnológicas mais importantes para um hotel. No Brasil, a discussão sobre sistemas e operação costuma aparecer também em fóruns da ABIH e entidades regionais do setor.
O sistema escolhido terá impacto direto na operação diária, na qualidade dos dados disponíveis para gestão, na integração entre departamentos e na capacidade do empreendimento de acompanhar mudanças no mercado.
Muitos hotéis iniciam essa escolha olhando apenas para funcionalidades básicas, como reservas, check-in e check-out. Embora esses recursos sejam essenciais, um PMS moderno precisa atender a uma necessidade mais ampla: organizar dados, conectar sistemas e criar uma base confiável para decisões operacionais e comerciais.
Para gestores hoteleiros, a pergunta correta não é apenas “qual PMS tem mais recursos?”, mas sim:
Qual sistema atende melhor ao modelo operacional do hotel, à estratégia de distribuição e aos objetivos de crescimento do empreendimento?
A resposta depende de diversos fatores, como tamanho da operação, quantidade de unidades, canais de venda utilizados, necessidade de integração e maturidade da equipe.
Quando um hotel deve trocar de PMS?
A troca de PMS normalmente acontece quando o sistema atual deixa de acompanhar a evolução do negócio.
Nem sempre o problema é uma falha técnica. Em muitos casos, o crescimento do hotel revela limitações que antes não eram percebidas.
Alguns sinais indicam que pode ser o momento de avaliar uma mudança:
1. Processos manuais em excesso
Quando a equipe precisa controlar informações em planilhas paralelas, fazer lançamentos duplicados ou consultar diferentes sistemas para obter uma visão completa da operação, existe um problema de integração.
Um PMS eficiente deve reduzir processos manuais, não criar novas etapas.
2. Falta de integração com ferramentas importantes
A hotelaria atual depende de um ecossistema tecnológico.
Um PMS limitado pode dificultar conexões com:
- Channel Manager;
- Motor de Reservas;
- RMS;
- CRM;
- sistemas financeiros;
- plataformas de pagamentos;
- ferramentas de inteligência de mercado.
A ausência dessas integrações pode gerar perda de eficiência e inconsistência de dados.
3. Dificuldade para gerar relatórios
Dados operacionais precisam estar disponíveis para apoiar decisões.
Se o gestor depende de processos demorados para entender indicadores como ocupação, receita, origem das reservas e desempenho por período, o sistema pode não estar atendendo às necessidades atuais.
4. Crescimento da operação
Um PMS adequado para um hotel pequeno pode não ser suficiente para uma operação maior.
Mudanças como:
- aumento do número de apartamentos;
- abertura de novas unidades;
- expansão para diferentes destinos;
- maior volume de reservas;
- crescimento dos canais digitais;
Essas mudanças podem exigir uma plataforma mais robusta.
5. Experiência ruim para a equipe
A tecnologia precisa ser utilizada pelas pessoas que operam o hotel diariamente.
Um sistema complexo, pouco intuitivo ou com suporte insuficiente pode reduzir produtividade e aumentar resistência da equipe.
Cloud ou On-premise: qual modelo escolher?
Uma das primeiras decisões ao avaliar um PMS é definir entre uma solução em nuvem (cloud) ou instalada localmente (on-premise).
PMS Cloud
No modelo cloud, o sistema fica hospedado na infraestrutura do fornecedor e pode ser acessado pela internet.
Principais características:
- acesso remoto;
- atualizações automáticas;
- menor necessidade de infraestrutura própria;
- implantação geralmente mais rápida;
- possibilidade de escalabilidade.
Esse modelo ganhou espaço na hotelaria porque acompanha uma tendência de digitalização das operações.
Para hotéis independentes, pousadas e redes em expansão, soluções cloud costumam oferecer maior flexibilidade.
PMS On-premise
No modelo on-premise, o sistema é instalado nos servidores do próprio hotel.
Características:
- maior controle sobre infraestrutura;
- necessidade de manutenção local;
- dependência de equipe técnica;
- investimentos maiores em hardware.
Esse modelo ainda pode fazer sentido em operações que possuem infraestrutura própria robusta ou necessidades específicas de personalização.
Comparação entre Cloud e On-premise
Acesso remoto: Cloud: sim · On-premise: depende da configuração
Atualizações: Cloud: geralmente automáticas · On-premise: dependem da equipe técnica
Investimento inicial: Cloud: normalmente menor · On-premise: normalmente maior
Escalabilidade: Cloud: mais simples · On-premise: pode exigir novos investimentos
A escolha deve considerar não apenas o custo, mas principalmente a estratégia tecnológica do hotel.
Principais critérios para escolher um PMS
A escolha de um PMS deve seguir critérios objetivos.
Um erro comum é comparar sistemas apenas pela quantidade de funcionalidades. Um software com muitos recursos pode não ser adequado se não resolver as necessidades reais da operação.
1. Adequação ao perfil do hotel
O primeiro critério é entender o tipo de operação.
Um hotel corporativo, um resort, uma pousada independente e uma rede com múltiplas unidades possuem necessidades diferentes.
Avalie:
- quantidade de apartamentos;
- número de unidades;
- estrutura operacional;
- perfil dos hóspedes;
- canais de distribuição utilizados.
2. Facilidade de uso
O PMS será utilizado por diferentes áreas:
- recepção;
- reservas;
- governança;
- financeiro;
- gerência.
Uma interface complexa pode comprometer a adoção do sistema.
A facilidade de treinamento e utilização deve fazer parte da avaliação.
3. Capacidade de integração
Um PMS isolado limita o potencial da tecnologia.
Verifique se o sistema possui integração com:
- Channel Manager;
- Motor de Reservas;
- RMS;
- ERP;
- CRM;
- ferramentas de pagamento;
- fechaduras digitais.
Quanto mais conectado for o ecossistema, maior a consistência das informações.
4. Qualidade dos relatórios
Relatórios são fundamentais para gestão.
O PMS deve permitir análises como:
- ocupação;
- receita;
- reservas futuras;
- cancelamentos;
- origem das vendas;
- desempenho por período.
Para profissionais de Revenue Management, a disponibilidade de dados confiáveis é especialmente importante.
5. Suporte e atendimento
A relação com o fornecedor não termina após a implantação.
Avalie:
- qualidade do suporte;
- tempo de resposta;
- disponibilidade de atendimento;
- treinamento inicial;
- materiais de apoio.
Problemas operacionais em um PMS podem afetar diretamente a experiência do hóspede.
6. Segurança e disponibilidade
Como o sistema concentra informações importantes, segurança deve ser um critério obrigatório.
Analise:
- política de backup;
- proteção de dados;
- estabilidade da plataforma;
- controle de acesso.
Principais PMS utilizados no Brasil
O mercado brasileiro possui diferentes fornecedores de PMS, atendendo desde pequenos empreendimentos até grandes redes hoteleiras.
A escolha deve considerar o perfil da operação, e não apenas a popularidade da marca.
Cloudbeds
Cloudbeds é uma plataforma em nuvem voltada principalmente para hotéis independentes, pousadas, hostels e propriedades de pequeno e médio porte.
O sistema combina recursos de PMS, Channel Manager e ferramentas de distribuição em uma única plataforma.
É conhecido pela proposta de simplicidade operacional e pela atuação internacional.
Desbravador
Desbravador Software é uma empresa brasileira tradicional no segmento de tecnologia para hotelaria.
Seu PMS atende diferentes perfis de empreendimentos e possui soluções voltadas para gestão operacional, reservas e integrações.
TOTVS
TOTVS possui soluções para diversos segmentos, incluindo hotelaria.
Suas plataformas são utilizadas principalmente por operações que buscam integração entre sistemas hoteleiros e administrativos.
A força da empresa está também no ecossistema de gestão empresarial.
Oracle OPERA
Oracle OPERA é uma das soluções mais reconhecidas globalmente no mercado hoteleiro.
É amplamente utilizado por grandes hotéis e redes internacionais devido à sua robustez operacional.
Atende operações complexas que precisam de alto nível de controle, padronização e integração.
Omnibees
Omnibees atua fortemente no ecossistema de distribuição hoteleira.
Além de soluções relacionadas à comercialização e conectividade, possui integração com diferentes tecnologias utilizadas pelos hotéis.
Erbon
Erbon Hospitality oferece soluções voltadas para gestão hoteleira, atendendo empreendimentos que buscam ferramentas operacionais integradas.
WISH
WISH PMS (Prologic First) possui soluções direcionadas ao setor hoteleiro, com foco em gestão e operação de empreendimentos.
Integrações importantes em um PMS
Um PMS moderno precisa funcionar como parte de um ecossistema.
As integrações mais relevantes incluem:
PMS + Channel Manager
Permite distribuir disponibilidade e tarifas para diferentes canais de venda.
Ajuda a reduzir erros de inventário e facilita a gestão de múltiplas plataformas.
PMS + Motor de Reservas
Conecta reservas diretas realizadas no site do hotel com a operação interna.
É fundamental para estratégias de venda direta.
PMS + RMS
Integra dados operacionais com ferramentas de Revenue Management.
Ajuda profissionais de receita a analisar demanda, ocupação e oportunidades de precificação.
PMS + ERP
Conecta operação hoteleira com processos administrativos e financeiros.
PMS + CRM
Permite utilizar informações do hóspede para estratégias de relacionamento e personalização.
Perguntas para fazer ao fornecedor antes de contratar
Antes de escolher um PMS, o gestor deve avaliar o fornecedor com perguntas práticas.
Sobre tecnologia
- O sistema é cloud ou on-premise?
- Qual é a frequência de atualizações?
- Existe API para integrações?
- Como funciona o backup?
Sobre operação
- O sistema atende hotéis com perfil semelhante ao meu?
- Quais processos são automatizados?
- Como funciona o treinamento da equipe?
Sobre integrações
- Quais Channel Managers são compatíveis?
- Existe integração com RMS?
- Existe integração com ERP?
- O motor de reservas é próprio ou de terceiros?
Sobre suporte
- Qual é o canal de atendimento?
- Existe suporte 24 horas?
- Qual o tempo médio de resposta?
Checklist para avaliar um PMS
Antes de tomar uma decisão, avalie:
☐ Possui as integrações necessárias
☐ Permite acesso aos dados operacionais
☐ Oferece relatórios adequados para gestão
☐ É simples para a equipe utilizar
☐ Possui suporte confiável
☐ Tem capacidade de crescimento junto com o negócio
☐ Atende requisitos de segurança
☐ O custo está alinhado ao valor entregue
☐ O fornecedor possui experiência no mercado hoteleiro
Conclusão
Escolher um PMS não é apenas uma decisão de tecnologia. É uma decisão operacional e estratégica.
O sistema escolhido será responsável por organizar informações essenciais do hotel, conectar diferentes áreas e sustentar decisões futuras.
A melhor escolha não necessariamente será o PMS com mais funcionalidades ou o mais conhecido do mercado. Será aquele que combina melhor com o modelo de operação, os objetivos do empreendimento e a maturidade tecnológica da equipe.
Em um cenário de maior competitividade, onde distribuição, dados e velocidade de decisão influenciam diretamente os resultados, um PMS bem escolhido deixa de ser apenas uma ferramenta administrativa e passa a ser uma infraestrutura fundamental para a gestão hoteleira.
Para entender o papel do PMS na operação, leia também O que é um PMS na hotelaria e como funciona.
Ao enviar, você concorda com nossa política de cookies e a política de privacidade.
